Por Luciano de Souza, Editor do Blog Cultura-TO
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| Marco Antônio Baleeiro Alves Sessão de Autógrafo |
Conhecido no estado do Tocantins por sua trajetória acadêmica como professor e pesquisador com forte atuação na Universidade Federal do Tocantins (UFT), Marco Antônio Baleeiro Alves consolida agora sua atuação no cenário literário. Durante a 28ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo, o autor participou do lançamento da obra "A Coletânea Poética Internacional"– Café com Leni e Convidados, um projeto literário anual organizado pela escritora Leni Zilioto ocasião em que foi condecorado com o Diploma de Mérito Acadêmico Ciccillo Matarazzo pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia (RJ).
A inserção no mercado editorial dialoga diretamente com sua produção científica pregressa. O pesquisador já havia demarcado espaço com a publicação de "Tecnociência Solidária em Áreas Rurais: (Re) Pensar a Pesquisa-Ação", obra na qual problematiza o modelo hegemônico de inovação e propõe abordagens calcadas nas demandas da agricultura familiar e movimentos sociais. Com experiência acumulada no serviço público federal de 20 anos de carreira, atualmente trabalha na Esplanada dos Ministérios em Brasília - DF, tendo passado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e Ministério do Trabalho e Emprego, e no meio de tantas atividades consegue encontrar tempo nas horas vagas para escrever poesias, além de outras atividades literárias.
Para detalhar essa transição da pesquisa-ação acadêmica e técnica para a literatura lírica e entender seus próximos passos profissionais e políticos, o Blog Cultura-TO realizou uma entrevista exclusiva com o autor.
Entrevista Exclusiva
Cultura-TO: Marco, como surgiu o convite para sua participação nesta coletânea internacional de poesias?
Marco Antônio Baleeiro Alves: Foi por meio da mãe de um amigo que faleceu aos 40 anos de câncer generalizado, o ano era 2018. Ela é uma grande poetisa na minha opinião, que inclusive eu não a conhecia, dado que esse meu amigo trabalhava com equipamentos de radioterapia no Hospital Geral de Palmas e eu na UFT, ficamos muito amigos. Ele deixou uma jovem esposa e três filhos pequenos naquela época. A mãe desse meu amigo se chama Jussara Burgos (também premiada), é poetisa desde criança. Ela havia identificado, por meio de um áudio no celular de outro amigo, a admiração que eu tinha por seu filho. Então, ela resolveu entrar em contato comigo e daí surgiu uma amizade muito bonita. Sou grato a ela por me colocar nesse caminho da poesia e também sou muito grato a Deus por ter colocado uma companheira na minha vida. Coincidentemente, eu havia feito uma poesia para a mulher que hoje é a minha noiva e estamos de casamento marcado, inclusive, Naygara Suemer é seu nome. As poesias foram muito bem recebidas pelos avaliadores, em especial pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia e a professora Leni Zilioto que enxergou o potencial artístico.

Leni Zilioto e Marco Antônio
Baleeiro Alves
Eu já admirava a arte da poesia desde a minha adolescência, nas aulas da professora Teresa de literatura no Ensino Médio entre 1994 e 1996. Ela era uma professora incrível que explicava as escolas literárias numa dramaticidade brilhante em suas aulas. Fiquei muito tempo sem escrever, até que, há cerca de dois ou três anos, resolvi voltar. Foi quando fiz a “Poesia do Olhar” para o amor que hoje é minha noiva. A premiação [na Bienal] foi em consequência da Academia de Letras de São Pedro Da Aldeia, no RJ.
Cultura-TO: Como tem sido essa experiência de voltar às publicações, especialmente no formato impresso?
Marco Antônio: Prefiro as publicações impressas, não somente por serem mais sustentáveis quando comparadas com as eletrônicas, mas também pelo fato de que penso que promove uma melhor divulgação da obra, pelo estímulo à leitura, dado que ainda estamos muito aquém nesses índices, especialmente no Brasil. O jovem brasileiro lê muito pouco. Precisamos reeleger Lula novamente, pois não queremos mais armas e sim mais livros.
A atividade literária e até mesmo o simples ato de ler tem sido o privilégio não de uma elite financeira, mas de uma elite cultural, pouquíssimo expressiva numericamente, sem apoio de políticas públicas adequadas, dada a onda conservadora que insiste em castigar o mundo. Particularmente, acredito que se a escola não estimula a leitura, a família tampouco o faz, e quando o jovem chega na universidade não há um estímulo adequado por parte dos professores e professoras. Contudo, chamo atenção para o fato de que não basta ler muito, é preciso ler com os olhos da crítica, mas não a crítica destrutiva, e sim a crítica dialética e dialógica, que para mim é a melhor de todas.
Cultura-TO: O lançamento ocorreu no dia 6 de setembro na Bienal. Há novos trabalhos literários ou científicos em vista para os próximos anos?
Marco Antônio: Sim, pois acredito fielmente que a arte da poesia é uma das respostas firmes que precisamos dar ao estado de policrise epistêmica, ambiental, social, cultural e econômica que vivemos atualmente no mundo todo. Fizemos o lançamento desse trabalho na 28ª Bienal do Livro em São Paulo, foi uma experiência incrível. Agora, estou trabalhando em dois livros com perspectiva de publicação para o ano que vem (2027).
Economia Solidária: entre a utopia e sobrevivência, tecendo esperanças para colher sonhos: A obra vai além dos resultados de uma pesquisa onde uso a metodologia da Observação Participante, na qual venho me aprofundando desde 2022 junto aos movimentos que defendem a economia solidária. Trata-se de um livro que explica as transformações que a economia solidária vem sofrendo devido ao estado de policrise que estamos vivendo e sua relação com o semiocapitalismo, que a descaracteriza. Há problematizações sobre conceitos-chave, como economia solidária digital e tecnociência solidária, que ajudam a entender as transformações no mundo e avaliar os caminhos possíveis.
Obra poética autoral: O segundo projeto é um livro de poesias, onde apresento reflexões filosóficas, sociológicas e até espiritualistas. Nele, aproveito para fazer uma homenagem à minha falecida mãe, que foi levada pelo câncer em 1993, quando eu ainda tinha apenas 13 anos de idade. Isso porque ela foi e continua sendo a minha grande chama inspiradora.
Marco Antônio fazendo um tour no evento gravando e comentando.
Cultura-TO: Marco, como surgiu o convite para sua participação nesta coletânea internacional de poesias?
Marco Antônio Baleeiro Alves: Foi por meio da mãe de um amigo que faleceu aos 40 anos de câncer generalizado, o ano era 2018. Ela é uma grande poetisa na minha opinião, que inclusive eu não a conhecia, dado que esse meu amigo trabalhava com equipamentos de radioterapia no Hospital Geral de Palmas e eu na UFT, ficamos muito amigos. Ele deixou uma jovem esposa e três filhos pequenos naquela época. A mãe desse meu amigo se chama Jussara Burgos (também premiada), é poetisa desde criança. Ela havia identificado, por meio de um áudio no celular de outro amigo, a admiração que eu tinha por seu filho. Então, ela resolveu entrar em contato comigo e daí surgiu uma amizade muito bonita. Sou grato a ela por me colocar nesse caminho da poesia e também sou muito grato a Deus por ter colocado uma companheira na minha vida. Coincidentemente, eu havia feito uma poesia para a mulher que hoje é a minha noiva e estamos de casamento marcado, inclusive, Naygara Suemer é seu nome. As poesias foram muito bem recebidas pelos avaliadores, em especial pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia e a professora Leni Zilioto que enxergou o potencial artístico.
| Leni Zilioto e Marco Antônio Baleeiro Alves |
Cultura-TO: Como tem sido essa experiência de voltar às publicações, especialmente no formato impresso?
Marco Antônio: Prefiro as publicações impressas, não somente por serem mais sustentáveis quando comparadas com as eletrônicas, mas também pelo fato de que penso que promove uma melhor divulgação da obra, pelo estímulo à leitura, dado que ainda estamos muito aquém nesses índices, especialmente no Brasil. O jovem brasileiro lê muito pouco. Precisamos reeleger Lula novamente, pois não queremos mais armas e sim mais livros.
A atividade literária e até mesmo o simples ato de ler tem sido o privilégio não de uma elite financeira, mas de uma elite cultural, pouquíssimo expressiva numericamente, sem apoio de políticas públicas adequadas, dada a onda conservadora que insiste em castigar o mundo. Particularmente, acredito que se a escola não estimula a leitura, a família tampouco o faz, e quando o jovem chega na universidade não há um estímulo adequado por parte dos professores e professoras. Contudo, chamo atenção para o fato de que não basta ler muito, é preciso ler com os olhos da crítica, mas não a crítica destrutiva, e sim a crítica dialética e dialógica, que para mim é a melhor de todas.
Cultura-TO: O lançamento ocorreu no dia 6 de setembro na Bienal. Há novos trabalhos literários ou científicos em vista para os próximos anos?
Marco Antônio: Sim, pois acredito fielmente que a arte da poesia é uma das respostas firmes que precisamos dar ao estado de policrise epistêmica, ambiental, social, cultural e econômica que vivemos atualmente no mundo todo. Fizemos o lançamento desse trabalho na 28ª Bienal do Livro em São Paulo, foi uma experiência incrível. Agora, estou trabalhando em dois livros com perspectiva de publicação para o ano que vem (2027).
Economia Solidária: entre a utopia e sobrevivência, tecendo esperanças para colher sonhos: A obra vai além dos resultados de uma pesquisa onde uso a metodologia da Observação Participante, na qual venho me aprofundando desde 2022 junto aos movimentos que defendem a economia solidária. Trata-se de um livro que explica as transformações que a economia solidária vem sofrendo devido ao estado de policrise que estamos vivendo e sua relação com o semiocapitalismo, que a descaracteriza. Há problematizações sobre conceitos-chave, como economia solidária digital e tecnociência solidária, que ajudam a entender as transformações no mundo e avaliar os caminhos possíveis.
Obra poética autoral: O segundo projeto é um livro de poesias, onde apresento reflexões filosóficas, sociológicas e até espiritualistas. Nele, aproveito para fazer uma homenagem à minha falecida mãe, que foi levada pelo câncer em 1993, quando eu ainda tinha apenas 13 anos de idade. Isso porque ela foi e continua sendo a minha grande chama inspiradora.
Marco Antônio fazendo um tour no evento gravando e comentando.
Sobre o Autor
Marco Antônio Baleeiro Alves atua no cruzamento entre a pesquisa tecnocientífica e a gestão de políticas públicas. É Doutor em Política Científica e Tecnológica pela UNICAMP (2024) e especialista em Gestão Estratégica da Inovação. Sua trajetória é marcada pela estruturação de processos focados no desenvolvimento socioambiental e na economia solidária:
Governo Federal: Atualmente atua como Assistente na Secretaria-Geral da Presidência da República, coordenando ações do Comitê Interministerial de Inclusão Socioeconômica de Catadoras e Catadores.
Gestão de Projetos: Possui histórico como Chefe de Projeto na Secretaria Nacional de Economia Popular Solidária (MTE).
Academia e Inovação: Integrou o quadro técnico da Universidade Federal do Tocantins (UFT), onde dirigiu o Núcleo de Inovação Tecnológica, liderando projetos de patentes e soluções voltadas para o meio rural.
Produção Científica: É autor de publicações de impacto em agroenergia e tecnociência, com ênfase no aprimoramento tecnológico da agricultura familiar.
Governo Federal: Atualmente atua como Assistente na Secretaria-Geral da Presidência da República, coordenando ações do Comitê Interministerial de Inclusão Socioeconômica de Catadoras e Catadores.
Gestão de Projetos: Possui histórico como Chefe de Projeto na Secretaria Nacional de Economia Popular Solidária (MTE).
Academia e Inovação: Integrou o quadro técnico da Universidade Federal do Tocantins (UFT), onde dirigiu o Núcleo de Inovação Tecnológica, liderando projetos de patentes e soluções voltadas para o meio rural.
Produção Científica: É autor de publicações de impacto em agroenergia e tecnociência, com ênfase no aprimoramento tecnológico da agricultura familiar.





